A joia da coroa: o sal de Castro Marim é agora oficialmente DOP
A 9 de Março de 2026, o Diário da República publicou o Aviso n.º 5717/2026/2 — uma decisão nacional favorável ao registo do Sal de Castro Marim como Denominação de Origem Protegida. Há muito que era esperado.
A 9 de Março de 2026, algo apareceu no Diário da República que nos deixou sem palavras a meio da frase.
Aviso n.º 5717/2026/2. Um aviso governamental formal, seco como a linguagem burocrática costuma ser, anunciando uma decisão nacional favorável ao registo de “Sal de Castro Marim / Flor de Sal de Castro Marim” como Denominação de Origem Protegida — DOP.
Há muito que era esperado. E muda tudo.
Significa que o nome, o lugar e o método são, por lei, inseparáveis.
- Colheita 100% manualSem maquinaria nos talhos de cristalização.
- Nunca lavado depois da colheitaO sal é enxaguado apenas na sua própria água-mãe, preservando o seu perfil mineral natural.
- Sem aditivosSem agentes antiaglomerantes, sem branqueamento, sem tratamentos químicos.
- Primeira embalagem na origemDentro da própria área de produção, antes de o sal sair de Castro Marim.
O que a DOP realmente significa
A designação DOP — Denominação de Origem Protegida — é a maior garantia de autenticidade do sistema alimentar europeu. É o mesmo enquadramento que protege o Parmigiano-Reggiano, o Champanhe e o Porto.
Para o sal de Castro Marim, confirma aquilo que os produtores aqui sempre souberam: isto não é sal marinho genérico. A composição mineral específica do estuário do Guadiana, o microclima particular da reserva natural da RNSCMVRSA e os métodos seculares de colheita manual combinam-se para produzir algo que não pode ser replicado em mais lado nenhum do mundo. Agora um regulamento europeu confirma-o.
Para a Sal Correia, nada disto é novo. É simplesmente quem somos. Mas a protecção formal importa — para os nossos clientes, para os nossos mercados de exportação e para cada pequeno produtor desta região que se recusou a industrializar quando teria sido mais fácil fazê-lo. O próximo passo é a auditoria formal e a certificação pela Kiwa Sativa, o organismo de controlo designado, que nos permitirá ostentar a marca DOP nas nossas embalagens. Estamos a preparar esse processo agora.
Uma palavra sobre o calendário
A decisão foi assinada pelo Secretário de Estado da Agricultura a 23 de Dezembro de 2025 e publicada a 9 de Março de 2026, na sequência da candidatura apresentada pela Cooperativa Terras de Sal — a mesma cooperativa que nos alertou para a pior subida de marés em anos, apenas algumas semanas antes.
Significa que a Safra 2026 — a nossa primeira campanha completa — será produzida sob o enquadramento legal criado pela DOP. Saber se a marca aparecerá nas nossas embalagens este ano depende da conclusão do processo de auditoria pela Kiwa Sativa. Estamos a trabalhar para isso. De qualquer forma, o sal será o mesmo. A norma sempre foi nossa.
Para os nossos clientes na Polónia, Alemanha e França
Sabemos que nos mercados de exportação a confiança constrói-se devagar. Um rótulo bonito não chega. Uma boa história não chega — embora esperemos que a nossa valha a leitura. O que dá confiança a um chefe em Varsóvia ou a um comprador de uma charcutaria em Munique é uma proveniência que não pode ser falsificada e padrões verificados de forma independente.
A DOP faz precisamente isso.
Uma palavra de gratidão
Este momento pertence a toda a comunidade salineira de Castro Marim — à Anabela e à equipa da Terras de Sal que conduziu a candidatura, a cada marnoto que manteve os seus métodos tradicionais durante décadas em que a produção industrial tornava difícil fazê-lo, e às famílias que seguraram estes talhos de barro quando o caminho mais fácil teria sido virar costas.
Temos orgulho em fazer parte dessa comunidade. E estamos prontos para a campanha que aí vem.
Bem-vindos à era DOP.
— De Castro Marim para a sua mesa — protegido em cada grão.
