A primeira flor: nasce a Safra 2026
Hoje aconteceu: à superfície dos talhos formou-se a primeira flor de sal do ano. Sol de Junho, brisa do Atlântico, a salinidade no ponto — e lá estava ela. Um apontamento da primeira colheita da Safra 2026, em fotografias.
Há dias em que se espera o ano inteiro. Hoje foi um deles.
Esta manhã, nos talhos em Venta Moinhos, o sol de Junho e uma brisa do Atlântico alinharam-se com a salinidade no ponto certo — e à superfície da água mãe apareceu a primeira flor de sal da Safra 2026.
A flor de sal não se fabrica. Espera-se. E quando a água, o sol e o vento se alinham, colhe-se à mão — ou perde-se.
A arte de coar
A flor de sal é a nata da salina, e tem o seu tempo: um véu fino e frágil que nasce à tona da água e que, se não se colher a horas, ganha peso e afunda-se até ao fundo de barro.
Por isso se coa à mão, com o coador de cabo longo, a rasar a superfície sem nunca tocar o leito. É o gesto de sempre do marnoto — e é ele que dá à flor aquela escama leve que se desfaz na língua.
Sal como o estuário o faz
Não leva lavagem, nem nada que se lhe acrescente. Colhida à mão e seca ao sol, fica com o magnésio, o cálcio e o potássio que o sal refinado perde pelo caminho.
Nada se acrescenta, nada se tira.
O que se segue
A análise do laboratório chega quando passar os nossos controlos — partilhamo-la aqui, como sempre. E cada frasco vai trazer um código QR, para quem quiser espreitar o dia exacto em que foi colhido.
Por agora, fica a alegria do dia: a Safra 2026 nasceu — à mão, ao sol, à espera do momento certo.
A natureza dá. Nós protegemos.
— De Castro Marim para a sua mesa — colhido à mão, enraizado em cada grão.



