A tradição encontra a ciência: o que vive dentro das nossas salinas
Sempre soubemos que as nossas salinas estão vivas. O Projecto SAL+ — uma iniciativa de investigação financiada pela Fundación “la Caixa” — está agora a produzir a evidência científica revista por pares que o demonstra.
Sempre soubemos que as nossas salinas estão vivas.
Não metaforicamente — literalmente. Os talhos de Venta Moinhos albergam microorganismos halófilos, bactérias extremófilas e uma complexidade biológica que a maior parte das pessoas nunca associa à palavra “sal”. Para nós, isto sempre fez parte do que torna o sal de Castro Marim diferente. Só faltavam os cientistas a explicar porquê.
Quando abre um saco de Sal Correia, está a segurar o resultado de um ecossistema vivo, de uma família de quatro gerações, de uma reserva natural protegida — e agora também de um processo científico revisto por pares.
- Caracterizar a purezaCaracterização físico-química dos sistemas tradicionais de produção em Castro Marim, suportando directamente a base científica da denominação DOP “Sal de Castro Marim”.
- Monitorização da segurança alimentarAcompanhamento sistemático das características do sal e rastreio de contaminantes, ao nível exigido para exportações alimentares premium.
- Investigação biotecnológicaEstudo da biologia única do ecossistema das salinas, incluindo os microorganismos halófilos que prosperam apenas em ambientes como o nosso.
Projecto SAL+
A salicultura tradicional da nossa região integra agora o SAL+, uma iniciativa de investigação científica financiada pela Fundación “la Caixa” através do programa Promove. Reúne produtores de sal de raiz patrimonial e a moderna ciência alimentar para fazer algo de que o nosso sector há muito precisa: produzir provas concretas daquilo que os produtores tradicionais sempre souberam por intuição.
Para nós, isto não é um exercício académico abstracto. Quando o código QR no seu saco de Sal Correia liga a um resultado laboratorial, o rigor por trás desse número deve algo precisamente a este tipo de ciência institucional.
A parte de que ninguém fala
Há uma dimensão da salicultura artesanal que raramente aparece num rótulo, mas que devia.
As nossas salinas não produzem apenas sal. Mantêm a rede hídrica do sapal de Castro Marim. Cada dia em que o Custódio e a nossa equipa trabalham os talhos — limpando esteiros, gerindo o fluxo de água, reparando cômoros — também sustentam o habitat que protege as aves da RNSCMVRSA. O Pernilongo nidifica aqui. Os flamingos alimentam-se aqui. Nada disto acontece sem a vigilância activa dos produtores de sal que trabalham esta terra há gerações.
E depois há o carbono. Por unidade de área, as salinas tradicionais estão entre os ecossistemas mais eficientes da Europa a sequestrar carbono — mais eficazes do que muitas florestas. Não é uma alegação de marketing. É uma área emergente da ciência climática, e os produtores da nossa região fazem agora parte da sua documentação.
O que isto significa para a Safra 2026
Não lavamos o nosso sal depois da colheita. Não o branqueamos. Não aceleramos a cristalização com calor nem com aditivos. O Atlântico, o Guadiana e o sol algarvio fazem o trabalho — da mesma forma que o fazem desde que os Romanos perceberam que este estuário em particular produzia algo digno de pagar a soldados.
O que o SAL+ nos dá é o vocabulário moderno para explicar um facto antigo.
Quando abre um saco de Sal Correia, está a segurar o resultado de um ecossistema vivo, de uma família de quatro gerações, de uma reserva natural protegida — e agora também de um processo científico revisto por pares.
É isto que a Transparência Radical realmente significa. Não vos mostrar apenas as partes boas. Mostrar tudo.
Saboreie a tradição. Confie na ciência.
— De Castro Marim para a sua mesa — ciência em cada grão.
