Ouro branco, carbono azul: a ciência chega às nossas salinas
Uma equipa do CCMAR — Centro de Ciências do Mar — passou o dia nas nossas salinas a recolher amostras de solo, lodo e água para o Projecto SAL C, o estudo transfronteiriço sobre como as salinas tradicionais armazenam carbono. Um olhar sobre o trabalho de campo, em fotografias.
Esta semana, a ciência veio até nós.
Uma equipa do CCMAR — Centro de Ciências do Mar passou o dia nas nossas salinas, em Venta Moinhos, a recolher amostras do solo, do lodo e da água dos talhos. Faz parte do trabalho de campo em curso do Projecto SAL C, o estudo transfronteiriço sobre como as salinas tradicionais armazenam carbono.
As salinas tradicionais não são apenas sistemas de produção de alimentos. São sumidouros de carbono.
O que o CCMAR veio medir
Ao longo da manhã, os investigadores percorreram os reservatórios e os talhos de cristalização — extraindo carotes de sedimento do fundo dos talhos, selando amostras de lodo e solo em frascos identificados, e recolhendo água com amostradores de haste nos reservatórios mais fundos.
Solo, lodo, água: as três camadas que, em conjunto, formam o balanço de carbono de um sapal salgado em funcionamento. Cada amostra é registada de acordo com a sua localização exacta e as condições do dia, e depois levada para o laboratório para análise.
O que é o Projecto SAL C
O SAL C — Valorização das Salinas para o Sequestro de Carbono e Mitigação das Alterações Climáticas — é uma iniciativa de investigação desenvolvida pelo Instituto BLUEZ C e financiada pela Fundación “la Caixa”. Entre os parceiros estão o Município de Castro Marim, a Made in Sea e a Eurocidade do Guadiana.
O seu foco é algo em que acreditamos há muito, mas para o qual nos faltava a linguagem científica que o provasse: as salinas tradicionais não são apenas sistemas de produção de alimentos. São sumidouros de carbono. O sapal que rodeia os nossos 142 talhos na RNSCMVRSA — as microalgas, as plantas halófitas, os esteiros — absorve CO₂ e fixa-o. É a isto que os cientistas do clima chamam Carbono Azul: carbono sequestrado por ecossistemas costeiros e marinhos, e não por florestas.
O que mantém esse sistema a funcionar é o trabalho diário do marnoto — a manutenção manual dos canais, a gestão do fluxo de água, a reparação dos muros de barro. Quando a salicultura tradicional desaparece, o sapal seca e o carbono armazenado regressa à atmosfera. Isto não é uma metáfora. É hidrologia.
Um estuário partilhado
O trabalho de campo nos nossos talhos é apenas metade de um retrato transfronteiriço. Portugal e Espanha partilham o estuário do Guadiana; as salinas de Castro Marim e os sapais de Ayamonte fazem parte do mesmo sistema vivo. O que acontece numa margem afecta a outra — como vimos este inverno, quando a descarga das barragens e a maré de tempestade empurraram água doce por todo o estuário, diluindo a água mãe dos produtores de ambas as margens em simultâneo.
A 9 de Junho, o Projecto SAL C realiza uma conferência de trabalho transfronteiriça em Ayamonte que reúne cientistas, produtores e parceiros municipais das duas margens. Qualquer pessoa que trabalhe em produção de sal, ecologia costeira, política climática ou alimentação sustentável é bem-vinda — as inscrições e o programa completo estão disponíveis através dos parceiros do projecto.
O que isto significa para o nosso sal
Sempre dissemos que escolher a Sal Correia é mais do que temperar. A Safra 2026 será colhida em talhos que fazem parte de um sistema de sequestro de carbono activamente estudado e cientificamente documentado. Não é uma alegação de marketing. É um facto mensurável que o Instituto BLUEZ C está a trabalhar para quantificar e publicar.
Quando o código QR no seu saco liga a uma data de colheita e a um resultado laboratorial, um dia ligará também aos dados de carbono do ecossistema que o produziu. É este o retrato completo daquilo que significa Transparência Radical.
Continuaremos a dar notícias à medida que os dados chegam.
A natureza dá. Nós protegemos.
— De Castro Marim para a sua mesa — enraizado em cada grão.






